A Ryanair vai introduzir uma taxa de dois euros por bilhete para financiar os custos de cancelamento e atrasos de voos em casos de força maior, em que a companhia aérea de baixo custo não é responsável.
Nas reservas efectuadas a partir de 4 de Abril 2011, a Ryanair vai introduzir uma taxa compensatória para fazer face aos custos resultantes de cancelamento e atrasos alheios à companhia aérea, que diz que, no último ano, sofreu perdas superiores a 100 milhões de euros com cancelamentos, atrasos e atendimento, compensações e despesas legais provenientes de mais de 15.000 cancelamentos de voos.
Em comunicado, a companhia aérea de baixo custo considerou «injusto e discriminatório» que as companhias aéreas sejam responsabilizadas e forçadas a fornecer o reembolso, refeições, hotéis e chamadas telefónicas durante as greves dos controladores aéreos, más condições climatéricas ou fecho do espaço aéreo devido à nuvem de cinzas.
«É claramente injusto que as companhias aéreas sejam obrigadas a providenciar refeições e acomodações a passageiros durante dias e por vezes semanas simplesmente porque os governos fecham o seu espaço aéreo ou os controladores saem dos seus postos de trabalho ou por incompetência de aeroportos que não limpam a neve da pista», sustentou o director de comunicação da Ryanair na Europa.
Daniel de Carvalho realça que «as empresas de transportes concorrentes (comboios, barcos e autocarros) não são responsabilizadas por eventos de força maior de acordo com o seu regulamento equivalente ao EU261».
Mais, considera, «uma situação insana, que as companhias de seguros não tenham pago nada durante a crise de cinza vulcânica no ano passado, pois tratava-se de força maior, quando as companhias aéreas foram forçadas a sustentar custos de semanas de atrasos».
A empresa irlandesa, com bases no Porto e em Faro, explica que «a taxa de dois euros irá ajudar a suportar estes custos, que não são recuperáveis através dos Governos, controladores de espaços aéreos ou aeroportos, e que portanto vão cair, na sua totalidade, sobre as companhias aéreas».
A maioria das interrupções em 2010 aconteceu em três períodos distintos: o fecho do espaço aéreo devido à nuvem vulcânica na Islândia em Abril e Maio, o fecho de muitos aeroportos na Comunidade Europeia devido a más condições climatéricas em Novembro e Dezembro e as greves de controladores aéreos na Alemanha, Bélgica, Espanha e França durante mais de 15 dias no verão.
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