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quinta-feira, 31 de março de 2011

MAIS RECORDES: défice agrava escalada dos juros

Sempre, sempre a subir. Os juros da dívida pública têm estado imparáveis, renovando máximos sucessivos. Até algumas maturidades de curto prazo têm já juros mais altos do que as de longo prazo. Isto indica que os mercados já nem na capacidade de Portugal em pagar um empréstimo de curto prazo confiam.

Já está mesmo «tudo pronto» para o resgate. Falta só o Governo decidir-se pelo pedido de ajuda.

Fasquia dos 9% superada em cinco prazos

A revisão em alta do défice de 2010 veio agravar a escalada, com recordes atrás de recordes. Já há cinco prazos acima dos 9%.

Os juros a cinco anos têm protagonizado uma forte escalada nas últimas sessões, tendo batido recordes atrás de recordes - o valor mais alto desde que Portugal entrou no euro é agora de 9,531% e foi já alcançado depois de conhecidos os números do défice.

Nas restantes maturidades há também valores nunca antes vistos: os juros a três anos já tocam os 9,430%, a quatro e a seis também também já superam essa barreira, rondando os 9,2%; as Obrigações do Tesouro a sete anos romperam hoje pela primeira vez a mesma fasquia, negociando já nos 9,110%. Os juros a oito e nove anos para lá caminham, estando praticamente colados aos 9%.

Na maturidade a dois anos já foram alcançados máximos sucessivos esta quinta-feira - o último foi nos 8,649%.

Também as Obrigações do Tesouro a 10 anos fixaram um novo recorde: já vão nos 8,681%.

«Spread» face à Alemanha também atinge recorde

Com este cenário, não é de admirar que a diferença entre o que os investidores cobram para adquirir dívida portuguesa em detrimento da alemã seja cada vez maior. O chamado spreadatingiu mesmo um recorde de 533,4 pontos base. Para se ter uma ideia do agravamento, há cerca de duas semanas rondava os 430.

Na Alemanha, os juros estão nos 3,3%, numa trajectória que se tem mantido estável. Por cá, a curva é sempre ascendente. Aliás, no espaço de três meses, os juros da dívida soberana dispararam 34%.

Os avisos e as pressões sobre Portugal repetem-se. A agência de notação financeira Fitch veio ontem dizer que ou pedimos ajuda, ou a nossa avaliação pode baixar. A ameaça já começa a ter efeitos: a CGD já levou com um corte de rating em dois níveis.

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